Tédio e ócio. Outro dia, andando pela Pompéia, que é um bairro em cima de morros, passei pela rua mais ingrime que já vi na minha vida. Comentei com o Edu. “Ainda bem que eu não morava aqui quando era criança”. Se eu morasse lá teria descido aquela rua de todas as formas possíveis. De carrinho de rolimã, de patins, de bicicleta, de papelão, de fórmica (as vezes, quando criança, achávamos umas madeiras com fórmica e usávamos ela até acabar. Escorregava mais do que as velhas rodinhas com rolimã).... Valia tudo que fizesse ganhar velocidade. Alguns desses aparatos deslizantes tinham freios, mas a maioria das vezes era com o bom e velho chinelo havaianas que segurávamos a bronca. Boa parte das vezes não tinha freio nenhum, nem chinelo. Nos estatelávamos no chão, parede, poste ou carro parado. Aí, quando estava com a língua de fora, entrava num quintal pra beber água na torneira e aproveitava para lavar os arranhões que ardiam pra caramba. O que era muito melhor do que passar mertiolate. Tudo isso e apenas 1 pé quebrado e algumas cicatrizes. Me deu uma saudades incrível e me fez lembrar o quanto gostava de aventura e o quanto odiava o tédio. Hoje o tédio virou ócio e a aventura está em pagar as contas no fim do mês. Quanto a água da torneira.... Até hoje tomo vermífugo pra garantir.
Escrito por Dani Angelotti às 00h22
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